Jornalista lança livro sobre morte de Isabella Nardoni


Em março, completam-se dez anos de um crime que chocou o país e mobilizou a imprensa, a polícia e a justiça até o julgamento do caso: Isabella Nardoni, com apenas 5 anos de idade, foi assassinada e seu pai, Alexandre, junto com a madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram condenados e estão presos até hoje em São Paulo. O jornalista Rogério Pagnan estava de plantão na redação da Folha de São Paulo na noite do dia 29, um sábado, e, horas depois, foi até a delegacia, onde viu nascer a investigação.

Livro aponta falhas na investigação da morte de Isabella Nardoni (Foto: Reprodução)

Alguns dias depois do crime, ele entrevistou um pedreiro que disse ter encontrado a porta da obra em que trabalhava, ao lado do prédio da família Nardoni, aberta. O pedreiro, mais tarde, não se sabe por qual motivo, negou o depoimento. Rogério descobriu que policiais da Rota estiveram no local, na noite do crime. Mas a própria polícia civil desconhecia o fato, que não constava, portanto, do boletim de ocorrência. Este e outros fatos chamaram a atenção do jornalista e ele decidiu investigar o caso mais a fundo. O resultado de sua apuração contesta diversas das provas usadas pela polícia e pelo promotor do caso durante o julgamento. Elas estão relatadas no livro “O pior dos crimes”, que ele lança este mês, pela Record.

“Na verdade, até agora, não era de conhecimento público (nem os policiais civis que investigaram o crime nem o Ministério Público) quem havia arrombado o portão de um sobrado em obra aos fundos do London. Isso é mais uma revelação da obra. Essa reportagem acabaria me levando dois anos depois a ser chamado como testemunha do julgamento. Não gostei dessa convocação, mas, não tinha como dizer não à Justiça sob risco de ser processado criminalmente. A experiência de ficar confinado com parte dos policiais que participaram da investigação do caso, incluindo da perícia, foi muito importante para o nascimento do livro. Principalmente por ter ouvido do delegado Calixto Calil Filho, o titular do distrito policial do crime, uma frase que indicava haver dúvidas sobre a autoria do crime. Essa frase é a gênese da obra. ‘Se foram mesmo os dois’, relata o autor, em entrevista para o blog da Record.

Na obra, Pagnan revela omissões na investigação da polícia e falhas na elaboração do relatório final da perícia e no indiciamento do casal pelo Ministério Público. O autor, que entrevistou inúmeras fontes, consultou arquivos e fez pesquisas para o livro durante cinco anos, aponta uma série de problemas também na cobertura do caso, pela imprensa. Também questiona o fato de o delegado, a perita e o promotor terem condenado o casal previamente, em declarações para a imprensa.

Dez anos depois, “O pior dos crimes” desmonta muitas das convicções formadas pela opinião pública sobre o assassinato. O sangue encontrado no carro da família? Não era sangue. O sangue do apartamento? O reagente utilizado não dava 100% de certeza se era sangue ou outra substância. Nem todas as pistas dadas pelas testemunhas do edifício London foram investigadas pela polícia. Alexandre e Anna Carolina nunca confessaram o crime, embora o livro aponte que houve uma negociação para que o pai o fizesse. Depois de tantos anos, resta a questão: o julgamento, com base nesses novos fatos, poderia ser anulado?

 

 

 

 

O Pior dos Crimes
Autor: Rogério Pagnan
Páginas: 336
Preço: R$ 39,90
Editora: Record / Grupo Editorial Record