Garotos Podres promove “festa punk” no Pelô Rock Fest


A expectativa era grande para a volta do Garotos Podres a Salvador com o vocalista original Mao. Apesar de agora ser o único membro fundador a integrar a banda, quem esteve no Largo Quincas Berro D´Água, em Salvador, neste sábado, 12, pode conferir um show energético e recheado de clássicos dos pioneiros do punk rock brasileiro.

_MG_8000-5
_MG_7989-1
_MG_8016-11
_MG_8026-13
_MG_8133-29
_MG_8150-33
_MG_8267-61
_MG_8278-65
_MG_8368-73
_MG_8523-83
_MG_8581-93
_MG_8585-95

Fotos: Rafael Almeida

O Barulho S/A fez as honras da casa iniciando uma apresentação muito competente. Mesmo equalização mais alta do que o necessário, o que resultava em uma estridência do som que saia das caixas, o grupo formado por Tiago Barulho (vocal), Elton Alencar (guitarra), Wagner ‘Madureira’ (baixo) e Roger Lee (bateria), conseguiu agradar bastante pelas músicas e postura de palco, conseguindo arrancar resposta de um público ainda tímido. Com músicas como “Milícia”, “Holocausto Urbano”, “Sete Pecados” e “Todos Querem Saber”, o Barulho S/A pode ser uma ótima aposta para o rock radiofônico, que já foi muito importante nas décadas passadas, mas hoje está longe de ter algumaa relevância para cena brasileira. Ainda executaram três covers bem distintos, mostrando a versatilidade da banda, “Sociedade Alternativa” (Raul Seixas), “Será que é disso que eu necessito?” (Titãs) e “Killing In The Name” (Rage Against The Machine).

Logo após foi a vez do Carburados Rock Motor, que trouxe uma pegada mais rock/punk para o palco. Também prejudicados um pouco pelo som, a banda conseguiu driblar os percalços por meio de muita garra e atitude. No repertório, as músicas “Beira da Estrada”, “Radares”, “Heroína Suicida” e “Valentão”, conseguiram garantir as primeiras rodas de mosh da noite, além da cadenciada e singela “Escravo da Mulher”. O Carburados ainda fez uma homenagem ao Ratos de Porão, com os clássicos “Sofrer”, “Crise Geral” e “Sentir Ódio e Nada Mais”. Durante a apresentação uma grata surpresa para todos foi a participação do vocalista Mao, do Garotos Podres, que cantou a canção “Vomitaram no Trem”, de sua autoria.

_MG_8685-107
_MG_8590-98
_MG_8733-111
_MG_8809-115
_MG_8819-117
_MG_8838-120
_MG_8854-124
_MG_9008-147
_MG_9045-154
_MG_9097-164
_MG_9431-177
_MG_9443-179
_MG_9038-153

Fotos: Rafael Almeida

E finalmente a espera tinha acabado, bem representados pelos recentes membros, Deedy (guitarra), Uel (baixo) e Tony Karpa (bateria), o Garotos Podres volta à capital soteropolitana, com o vocalista Mao, mais de dez anos da apresentação no mesmo Pelourinho. Já com um ótimo número de pessoas à frente do palco, a banda começou incendiando tudo com “Garoto Podre”. Oriundos da cidade de Mauá (ABC paulista), o grupo conhecido pela postura política de esquerda tocou clássicos como “Não Devemos Temer”, “Rock de Subúrbio”, “Anarquia Oi!” e “Johnny”.

>> Veja mais fotos clicando aqui

Ainda durante a execução das músicas, o vocalista Mao, doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), citou momentos da história onde houve grande resistência da classe operária na França, Espanha, Portugal e Brasil. Para encerrar a banda tocou sua canção mais famosa, mas não menos clássica, “Papai Noel Velho Batuta”. Infelizmente após o primeiro bis não puderam continuar devido ao estouro de um cano que colocou em perigo a aparelhagem da banda. Mas ao final o saldo foi mais que positivo e a galera saiu com a alma lavada.

É bom ressaltar que mesmo com alguns problemas é inegável a importância do Festival Pelô Rock Fest de resgatar os shows de rock underground nos palcos do Pelourinho. A presença do público mostra que ainda existem pessoas que querem frequentar shows e ouvir a música mais pesada. A estrutura do local, com bares e um ótimo espaço, valorizaram muito o evento, e torço para que novas edições ocorram o mais brevemente.