Domingo no TCA recebe espetáculo ‘Pele Negra, Máscaras Brancas’


Após breve temporada em março, com cerca de 2,5 mil espectadores, o espetáculo Pele Negra, Máscaras Brancas – primeiro espetáculo da Cia de Teatro da Universidade Federal da Bahia encenado por uma diretora negra, Onisajé (Fernanda Júlia) – é o próximo convidado a se apresentar no projeto Domingo no TCA, no dia 14 de julho, na Sala Principal do Teatro Castro Alves, às 11h.

Espetáculo é baseado em tese homônima de Frantz Fanon (Foto:Divulgação)

A dramaturgia de Aldri Anunciação (Namíbia, não! e Embarque Imediato) é baseada em tese homônima de Frantz Fanon e tem referências de “Os Condenados da Terra”, outra obra do autor. O primeiro livro apresenta a ferida da subjetividade negra; o segundo apresenta uma proposta de ação sobre essa subjetividade falhada ou estragada do negro pela colonialidade.

A montagem da Cia de Teatro da Ufba é uma obra de ficção que se vale de quase todas teorias e ainda traz personagens analisadas pelo psiquiatra e filósofo. O dramaturgo declara que a obra é distópica ao perpassar três períodos – 1950, 2019 e 2888 – para falar sobre como o processo de colonização construiu sofrimentos psicológicos em corpos negros.

A montagem traz o próprio Frantz Fanon como personagem no ano de 2019 defendendo novamente sua tese de doutorado, rejeitada pela banca examinadora no ano de 1950 – Pele Negra, Máscaras Brancas, obra que atualmente é referência mundial para discussão sobre o racismo. Dois artistas interpretam esta personagem, Victor Edvani – ator preto e cisgênero – e Matheuzza Xavier – atriz preta e transgênera.

Além do próprio Fanon, a obra traz uma família formada por seis personagens-tese que vivem em 2888. Nesse tempo-espaço, essas personagens desenvolvem as perspectivas ocidentalizadas de futuro para o negro e estão enclausuradas em uma casa devido a personagem Taiwo ter sido infectada pela “náusea do deejo de saber-ser” e, por isso, ultrapassado os limites impostos pelo “Regime Único Mundial”.

Assim como Taiwo outras personagens da sua família já tinham sido infectadas em outros momentos pela “náusea do desejo de saber-ser” e invadiram a velha biblioteca que possui informações a respeito do processo africano pré-colonial. Manter esses livros/informações distante do povo negro, que foi colonizado e vem tendo sua memória escondida e apagada, é uma forma de controle sob os seus corpos.

Pele Negra, Máscaras Brancas – Domingo no TCA
Quando: 14 de julho, às 11h
Onde: Teatro Castro Alves (sala principal)
Ingressos: R$ 1,00 (inteira) e R$ 0,50 (meia)
* Vendas somente no dia, a partir de 9h, com acesso imediato do público.