Completando 222 anos, Revolta de Búzios é tema de live nesta terça


A Revolta de Búzios completa 222 anos do seu início no dia 12 de agosto, e nesta terça-feira, 11, às 16h30, através das redes sociais oficiais do Governo do Estado da Bahia, acontece uma aula virtual em alusão ao movimento revolucionário negro que marcou o século 18 pelo fim da escravidão, defesa da igualdade racial e melhores condições de vida da população.

Salvador foi o palco da Revolta de Búzios em 1798 (Reprodução)

A live terá a participação do mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, Flávio Márcio Cerqueira, do historiador Clíssio Santana, que coordena o acervo virtual baiano da Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult), e da ativista Jussara Santana, coordenadora estadual da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen). Durante o evento também acontece intervenções artísticas, interação com estudantes e falas de personalidades ligadas à luta racial na Bahia.

O evento que agrega estudantes, pesquisadores, militantes, artistas, educadores, dentre outros segmentos, é uma realização conjunta entre as secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), da Educação (SEC) e de Cultura (Secult).

Revolta dos Búzios

A Revolta dos Búzios, também conhecida como a Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, que teve seu início em 12 de agosto de 1798, foi uma das maiores manifestações populares comandadas pelo povo negro ao longo da história.

A revolta teve início na capital baiana, quando amanheceu com diversos cartazes espalhados em prédios públicos, incentivando a população para uma revolta que defendia basicamente a proclamação da República, o fim da escravidão, redução de impostos, além de outras pautas reivindicatórias.

À frente da manifestação, os alfaiates João de Deus e Manuel Faustino dos Santos e os soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga foram delatados e o governo controlou o movimento. No dia 25 de agosto do mesmo ano todos os envolvidos na Revolta foram presos, e João de Deus, Manuel Faustino dos Santos, Lucas Dantas e Luiz Gonzaga logo após enforcados. Todos eles pertenciam à camada social mais baixa da cidade, enquanto outros envolvidos na manifestação, como Cipriano Barata, pertencentes à elite soteropolitana, foram inocentados.

As publicações do dia 12 de agosto propagavam mensagens diversas, dentre elas, a mais emblemática: “Animai-vos, povo bahiense, que está para chegar o tempo feliz da liberdade. O tempo em que todos seremos irmãos. O tempo em que todos seremos iguais”.